lembrete

1º de novembro de 2017, 1:12 pm, corredor do Centro de Aulas B.

 

o mundo não é cor-de-rosa. muito menos uma paleta de tons pastéis perfeitamente arranjados pra dar um ar delicado. o mundo é aquela mistura de cores que não deu certo. é uma parede com infiltração que manchou a camada de tinta. é cinza e preto com toques de poluição. o mundo é coberto por concreto, daquele que machuca o joelho nas quedas. eu caio muito. no entanto, são nesses tropeços que eu vejo que plantinhas nascem até no meio dos blocos de concreto.

 

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eu tô com saudade de uma coisa que eu não sei o que é

Maori Sakai

27 de outubro de 2017, 3:13 pm, aula de geopolítica.

talvez seja de casa,
das minhas gatas 
e da minha família.

talvez seja da infância,
de poder brincar
e não ter responsabilidade. 

talvez seja de acampar,
de ficar solta na natureza
e longe do mundo.

talvez seja dele,
que se foi cedo demais
e levou um pedaço de mim.

talvez seja da chuva,
que molha a terra,
enquanto lava a alma.

talvez seja de ler,
de me perder em um livro
pra me encontrar em outro mundo.

mas talvez, só talvez,
toda essa saudade
seja de mim mesma.

Ele.

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Ele apareceu num momento aleatório. Lá estava eu, toda autossuficiente e livre, querendo aproveitar todas as viradas que a vida tava dando. A última coisa que eu queria era um relacionamento. Quis fugir, mas eu estava em um uma rotatória e ele na saída que a rota exigia. O único caminho possível se encontrava nos lábios dele.

Ele tocou meu rosto colocando sorrisos bobos numa sexta de manhã. Lá estava eu, dando desculpa esfarrapada, já que “ah, você tá livre agora? Nossa, eu também”, só pra conversar um pouquinho. A última coisa que eu queria era um relacionamento, mas não parecia algo tão ruim depois de ver as covinhas no sorriso dele. Ao invés de fugir, eu fui direto pros braços dele. O único caminho possível foi entrelaçar as minhas mãos nas dele.

Ele foi centro dos meus pensamentos às cinco da manhã. Lá estava eu, com a cérebro cheio de coisas e percebendo que talvez o coração estivesse sendo ocupado também. A última coisa que eu queria era um relacionamento, mas já era inevitável. Tentei fugir, mas Camões virou tema de debate e Los Hermanos me fez virar manteiga derretida. O único caminho possível foi aceitar que ele ia estar do meu lado nas curvas da estrada.

Ele bagunça meu cabelo todo dia enquanto faz cafuné. Lá estou eu, que sempre odiei que mexessem no meu cabelo, deixando ele fazer cafuné. A última coisa que eu queria era um relacionamento, mas ele me ensinou que dá pra continuar autossuficiente e livre mesmo assim. Eu não quero mais fugir, porque o sorriso dele me incentiva a fazer coisas que eu jamais faria sozinha. O único caminho possível é amar um pouquinho mais todo dia.

Isso não é um adeus

Ei menino,

Te dar tchau é dolorido. Mais do que eu imaginava que seria. Até porque você chegou na minha vida recentemente, mas acabou sendo marcante sem revirar minha vida de cabeça pra baixo. Você só foi entrando, acompanhando a vibe dos momentos e eu nem sei quando ou como isso aconteceu direito, mas tá tranquilo. O importante é que aconteceu.

Durante esses meses, você foi virando o melhor parceiro. De comer brownie. De cinema. De ir conversar na praça. De ir fazer comprinhas, né meninas. De dividir sonho. De loucura. Numa cidade onde todo mundo pensava tão igual, conhecer alguém fora do padrão alimentou tudo de diferente que já tinha dentro de mim e fez isso mostrar as caras pro mundo. Obrigada por ajudar a bagunçar e fazer eu perceber que assim ficou mais organizado.

Mas, como dizia a vovó, a vida não é feita só de doce, então nosso momento amargo chegou em um momento muito doce pra cada um. A parte em que o sonho vira realidade chegou, mas nossas realidades acabaram ficando separadas por algumas centenas de quilômetros. Eu tô feliz pra caralho por você, mas não posso negar que vou sentir falta dos seus abraços apertados e de mexer no seu cabelo pouco discreto.

Te dar tchau é dolorido, mas é uma dor boa. Vai embora, vai. Vai com esse teu coração esperançoso espalhar amor por lá. Vai viver sua loucura na famigerada ilha da magia, enquanto eu vou viver a minha no cerrado. Não tem distância que vai separar tudo que a gente planejou fazer. Talvez não tenhamos dinheiro, mas o mundo é pequeno pra força de vontade de quem sonha. Vai e não precisa voltar, só aparecer de vez em quando (ou vim ser meu calouro).

Obrigada por ter aparecido no ano mais complicado da vida, eu te amo bastante.