lembrete

1º de novembro de 2017, 1:12 pm, corredor do Centro de Aulas B.

 

o mundo não é cor-de-rosa. muito menos uma paleta de tons pastéis perfeitamente arranjados pra dar um ar delicado. o mundo é aquela mistura de cores que não deu certo. é uma parede com infiltração que manchou a camada de tinta. é cinza e preto com toques de poluição. o mundo é coberto por concreto, daquele que machuca o joelho nas quedas. eu caio muito. no entanto, são nesses tropeços que eu vejo que plantinhas nascem até no meio dos blocos de concreto.

 

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A tal da faculdade de jornalismo

Essa sou eu fazendo a fina e ignorando o fato de que eu falhei miseravelmente durante o beda. Afinal, a vida é sobre erguer a cabeça e seguir em frente após cair.

Em um dos primeiros posts do blog, compartilhei a maior mudança que aconteceu até agora na minha vida: passar na faculdade de jornalismo. Eu mudei de Rondônia pra Goiás pra estudar o tal do sonho, então tudo sobre a fantástica universidade federal me deixava extramente encantada. Mas a realidade uma hora bateu na minha porta quando eu peguei o horário de aulas e essas são basicamente as minhas impressões sobre as minhas disciplinas do primeiro período.

faculdade vs. eu

 1. Introdução ao Jornalismo: como falar de uma matéria que eu não tive aula? Tudo que eu fiz pra essa matéria foi visitar a filial da Globo e viajar pra uma cidade histórica e pronto, carga horária cumprida. Conteúdo que é bom: 0. Mas essas coisas introdutórias costumam ser bem chatas, então gostei que foi tudo meio que na prática.

2. Produção de texto jornalístico 1: ou PTJ para os íntimos. Em resumo, só tenho a falar que foi linda, maravilhosa, perfeita e meu deus do céu, que professora crush. A missão do primeiro período foi aprender a escrever notícia e foi uma disciplina que fez a fusão perfeita entre teoria e prática.

3. Língua portuguesa: que foi leitura e produção textual. Não teve aula de gramática e conjugar verbo. Essa disciplina foi basicamente uma introdução aos gêneros acadêmicos e fez eu virar dias e noites escrevendo trabalho. Foi muito bom aprender a escrever artigos com a mão da professora guiando, mas não sei se valeu a pena no sentido geral do curso, já que maioria dos trabalhos não são tão “formais”.

eu fazendo os trabalhos dessa matéria

4. Cidadania e Direitos Humanos: podia ter sido maravilhosa, pena que a professora não seguiu a ementa. Tecnicamente, era pra ter sido estudado a Declaração dos Direitos Humanos, a Constituição de 88 e várias legislações específicas que reforçam essas garantias, como o Estatuto da Pessoa com Deficiência. Na prática, passamos o período inteiro discutindo sobre mulheres, negros e a comunidade LGBTQ+. Bem triste.

5. Estudos da Imagem: não tava dando nada por essa matéria, mas eu decreto que ela foi a pérola desse período. A aula era na quinta de tarde e o professor passava slide e falava bem calmo, ou seja, tudo pra dar muito sono, mas não foi assim pra mim. Amei estudar história da arte e discutir sobre as transformações que a imagem sofreu e como nossa cultura hoje é mais baseada em imagens do que em textos (vide o crescimento do youtube e a “queda” dos blogs).

6. História do Jornalismo: zZzZzZzZ… Nunca gostei de história, então essa matéria não me atraiu nem um pouco. Foi legal ver como a imprensa surgiu e refletir como relações antigas continuam, mas pegar aquele monte de texto chato e ler jornal antigo não foi comigo. Desculpa, pessoas que gostam de história.

eu na aula

Confesso que esse período foi bem mais ou menos, mas eu não desisti da faculdade e o segundo começa amanhã. Como boa trouxa que sou, estou com as expectativas altíssimas porque vou ter história do cinema, fotografia básica, política brasileira e a continuação de PTJ (que venham as reportagens!). Até pra geopolítica, que me falaram ser decepcionante, eu to empolgada. Não sei o que esperar de produção em áudio e cibercultura e já acho que ética e legislação da comunicação vai me dar altos soninhos, mas juro não dormir na aula e ser uma boa aluna. Ou, pelo menos, juro não dormir tanto e passar em tudo.

Até o próximo post :*

 

O que eu andei fazendo? {beda 1}

beda1

O fato é: eu tô sumida desde maio. Não dei as caras aqui e isso é simplesmente feio. Mas, nesse meio tempo, eu…

  1. Achei um novo lugar para tirar fotinhas incríveis;
  2. Li um pouco (talvez muito) de Fernando Pessoa;
  3. Conheci lugares legais na universidade com o tal do boy;
  4. Sentei no chão do museu pra admirar o trilho da iluminação ao invés do quadros;
  5. Fiquei muito tempo abstraindo com essa escultura no mesmo museu;
  6. Tomei café da manhã com os migos no que seria o dia mais triste do ano, mas nem foi por causa deles;
  7. Realizei meu sonho de princesa de postar foto de casal com legenda do Anavitória;
  8. Tirei foto sorrindo (algo bem raro) porque eu entrei oficialmente de férias;
  9. Passei uma noite dando rolê por vários aeroportos pra, no final, minha mala não chegar junto comigo, mas, pelo menos, eu estou em casa agora.

Foi corrido, mas senti saudade de criar. Eu assisto diariamente o Fotografando à Mesa no YouTube e Isabella e Felipe falam com muita frequência sobre como vlogar todo dia é difícil, mas que se eles não se “forçam” a fazer isso, eles acabam procrastinando e não criando nada. Comecei a me identificar com isso e cá estamos. Resolvi aproveitar agosto pra voltar com o BEDA e testar esse negócio de me obrigar a criar. Tenho até um calendário, mas não vamos estabelecer meta, não é mesmo? Se teve uma coisa que esse tempo longe me ensinou é que criar é necessário. Mesmo que eu não saiba exatamente o que eu estou fazendo ou se é relevante ou não, eu estou criando algo.

Espero que me acompanhem nessa loucura e vejo vocês por mais 30 posts. Até amanhã!

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Isso não é um adeus

Ei menino,

Te dar tchau é dolorido. Mais do que eu imaginava que seria. Até porque você chegou na minha vida recentemente, mas acabou sendo marcante sem revirar minha vida de cabeça pra baixo. Você só foi entrando, acompanhando a vibe dos momentos e eu nem sei quando ou como isso aconteceu direito, mas tá tranquilo. O importante é que aconteceu.

Durante esses meses, você foi virando o melhor parceiro. De comer brownie. De cinema. De ir conversar na praça. De ir fazer comprinhas, né meninas. De dividir sonho. De loucura. Numa cidade onde todo mundo pensava tão igual, conhecer alguém fora do padrão alimentou tudo de diferente que já tinha dentro de mim e fez isso mostrar as caras pro mundo. Obrigada por ajudar a bagunçar e fazer eu perceber que assim ficou mais organizado.

Mas, como dizia a vovó, a vida não é feita só de doce, então nosso momento amargo chegou em um momento muito doce pra cada um. A parte em que o sonho vira realidade chegou, mas nossas realidades acabaram ficando separadas por algumas centenas de quilômetros. Eu tô feliz pra caralho por você, mas não posso negar que vou sentir falta dos seus abraços apertados e de mexer no seu cabelo pouco discreto.

Te dar tchau é dolorido, mas é uma dor boa. Vai embora, vai. Vai com esse teu coração esperançoso espalhar amor por lá. Vai viver sua loucura na famigerada ilha da magia, enquanto eu vou viver a minha no cerrado. Não tem distância que vai separar tudo que a gente planejou fazer. Talvez não tenhamos dinheiro, mas o mundo é pequeno pra força de vontade de quem sonha. Vai e não precisa voltar, só aparecer de vez em quando (ou vim ser meu calouro).

Obrigada por ter aparecido no ano mais complicado da vida, eu te amo bastante.